Transporte manual de cargas: desafio de peso

Data: 22/03/2016 / Fonte: Revista Proteção/Jéssica Feiten

Quando você entra em uma empresa e enxerga caixas ou sacos pesados no chão, já sabe que ali provavelmente há uma pessoa com problema de coluna. Isto porque alguém largou aqueles sacos no chão e alguém terá que pegá-los fazendo movimentos que envolvem postura crítica e manuseio de carga. Se a pessoa flexiona o tronco, levanta peso e faz movimentos de rotação com frequência, está propensa a sofrer alterações graves na coluna como a hérnia de disco, que é extremamente dolorosa e pode levar à incapacidade permanente.
Casos de adoecimentos e afastamentos por lesões na coluna vertebral são comuns entre os profissionais que transportam cargas individualmente nos diversos setores econômicos. A atividade gera um enorme desgaste físico para o trabalhador, que acaba produzindo menos ao longo do tempo, acumulando prejuízos para a empresa e custos elevados para a sociedade.

É uma realidade nociva que se mantém inalterada há décadas, em parte, pela desvalorização da mão de obra. Mas aos poucos novas tecnologias e mudanças nos processos de trabalho – muitas delas simples e eficazes – vêm sendo incorporadas para reduzir ou eliminar o esforço físico no carregamento de peso e aumentar a produtividade. Os desafios são imensos, mas as soluções estão disponíveis, como você confere na reportagem.

Praticamente todas as empresas no Brasil se utilizam da movimentação manual de cargas. Mesmo em fábricas muito automatizadas, há atividades específicas em que o manuseio de peso é realizado pelo pessoal do almoxarifado ou pelos encarregados de fazer a paletização das caixas dos produtos acabados.

Diversas indústrias como a alimentícia, a química ou a metalúrgica empregam mão de obra para transportar materiais acondicionados em caixas, fardos, engradados, tonéis e sacarias. Nos frigoríficos, grandes peças de carnes congeladas são levadas até o caminhão, e do caminhão até o açougue, por trabalhadores que as carregam nas costas. E o açougueiro também manuseia peso quando faz a desossa dessas peças.

Na zona rural, as pessoas que colhem produtos agrícolas como a maçã ou o algodão precisam colocá-los em cestos ou sacos e transportar a carga manualmente num percurso de cinco a 10 metros até depositá-la no caminhão. Já nos hospitais o manuseio de um paciente com obesidade mórbida ou um paciente em crise impõe desafios para os enfermeiros, seja para colocá-los na maca de cirurgia, na cadeira para banho ou para movimentá-los na cama.

No setor portuário, na construção civil e nos centros logísticos, muitos volumes pesados exigem esforço físico dos trabalhadores para serem movimentados. O sistema de distribuição varejista no país, que opera de modo fragmentado, em pequenos lotes, faz com que a atividade de entrega de produtos (como eletrodomés­ticos, sacas de mantimentos, cimento, etc.) force a coluna vertebral com mais intensidade e de modo contínuo.