Rodízio de tarefas, pausa e ginástica laboral exigem ajustes na organização do trabalho

Data: 05/04/2016 / Fonte: Eugênia Casella Tavares Mattos, Claudia Dias Ollay e Flavio Koiti Kanazawa

Os DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) ou as LER  (Lesões por Esforços Repetitivos) causam significativo impacto negativo à saúde do trabalhador. A começar pela consequente redução da capacidade para o trabalho, e assim, aumento dos custos no que se refere a menor produtividade e maiores índices de absenteísmo.
A situação é bastante comum nas empresas e por isso, com o objetivo de mudança desse quadro, a implementação de medidas ergonômicas organizacionais se faz necessária. Mudanças na organização da produção, bem como adequações no mobiliário e ferramentas de trabalho são fundamentais. Apresentar as dificuldades e desafios na implementação de medidas ergonômicas organizacionais, como o rodízio de tarefas, a pausa passiva e a ginástica laboral é o principal objetivo desse artigo.

O rodízio de tarefas ou rotação dos postos de trabalho nada mais é do que a troca de atividades. Em outras palavras, o trabalhador recebe a missão de executar diferentes tarefas, de forma alternada, em diferentes pontos/locais de trabalho. O rodízio é recomendado quando as tarefas exigem uso permanente da memória e aceleração do ritmo de trabalho.

Os rodízios nos postos visam inicialmente à redução do tempo de exposição dos trabalhadores a certas posturas inadequadas. Também proporciona a redução de monotonia e do estresse no trabalho, possibilita maior versatilidade das capacidades dos trabalhadores e, com isto, ganho da satisfação individual no trabalho.

A implantação não é fácil. A metodologia de rodízio de tarefas não deve ser feita de forma indiscriminada. É preciso levar em conta o conhecimento científico, critérios ergonômicos de prevenção, segurança e conforto dos trabalhadores.

Na prática industrial, a aplicação do rodízio sem qualquer critério ou padronização não é rara. Esta conduta aleatória muitas vezes não leva em consideração a alternância de determinado grupo muscular ativado em uma ou outra tarefa, assim como as exigências cognitivas. Isto proporciona maus resultados, descrédito na técnica, e ainda, pode agravar as condições físicas do trabalhador, no caso do rodízio aumentar a sobrecarga física. Outra questão, é que o rodízio ainda enfrenta dificuldades nos setores administrativos, devido ao fato de interromper a normalidade do fluxo de trabalho e exigir mudança na estrutura organizacional.